Sinais de um relacionamento emocionalmente abusivo - Minha experiência pessoal.

Oi, gente.

O post de hoje não vai ser sobre moda, sobre viagem, sobre comprinhas ou sobre algum desses assuntos legais.

Eu na verdade fui e voltei muitas vezes na ideia de escrever sobre o assunto. Pelo fato de ser uma situação muito pessoal, é sempre um risco abrir sua vida desse jeito, especialmente em mídias sociais, porque é impressionante a quantidade de gente que aparece (e que mal te conhece) pra dar diagnóstico pronto, pra julgar ou dar pitaco na sua vida. No entanto, o assunto é sério e afeta muito a auto-estima e o emocional da pessoa. Pelo menos, afetou a minha.

Eu acabei de fazer 36 (sim, eu tenho 36 anos e não tenho problema em admitir isso) e como muitas mulheres na minha idade, eu também sonhava em nesta altura já ter a minha família e ter encontrado o meu parceiro ideal, mas que por motivos que não cabe aqui discutir, isso ainda não aconteceu. Entretanto, não são raras as situações onde eu escuto falar que: "Como você, há muitas mulheres aí na mesma situação, Kinha"...

Então, foi por mim, e quem sabe, por você ou por alguma amiga que você conhece, que eu resolvi escrever esse post e falar sobre como eu descobri que estava em um relacionamento emocionalmente abusivo.

O meu relacionamento chegava perto de um ano e não tinha quem não achasse que dessa vez ia ser pra valer. "Agora vai!" Era esse o pensamento geral de amigos e familiares, e claro, o meu também. Na minha cabeça, ano que vem eu estava casando e indo embora de vez pra Holanda. Até que neste último verão Europeu, as coisas tomaram uma rumo inesperado.

Quem via as nossas fotos por todos os lados e acompanhava os meus posts na Fan Page, no Insta ou no Snap, via quantos momentos bons a gente dividia e como em muitos momentos o relacionamento era super divertido, engraçado e que realmente a gente formava um dupla muito bacana. Eu concordo. Realmente, a gente viveu milhões de momentos maravilhosos, dos quais eu confesso que ainda sinto falta e muitas vezes, quando as memórias insistem em bater à minha porta, é doloroso, é ruim e eu choro.

O fato é que, a partir do fim de Junho, quando eu fui pra Holanda passar o verão, eu não esperava que o meu relacionamento, por vezes tão bacana, iria se tornar uma montanha russa de emoções, onde em um minuto estava tudo bem, mas cinco minutos depois, parecia que o mundo estava desabando nas nossas cabeças. Sim, eu digo nossas porque o fato de uma pessoa abusar emocionalmente de você, nem sempre quer dizer que ela o faça de propósito, ou que tem más intenções, mas nesses momentos, pelo motivo que seja, acaba sendo ruim pros dois, ainda que você não consiga entender direito o que se passa.

Não vou entrar aqui em detalhes específicos acerca dos fatos que aconteceram durante esse período que eu passei na Holanda, mas quero esclarecer algumas coisas.
  • Sim, eu estou bem ciente de que o choque cultural, ainda mais de uma cultura tão diferente da nossa como a holandesa, vai SEMPRE gerar conflitos, por menores que sejam.
  • Eu já conhecia a Holanda. Além de ir como turista, já tinha também passado um mês no inverno passado e pude experimentar o estilo de vida dutch que é beeeem diferente do que se imagina. Então, eu sabia muito bem no que eu estava me metendo em termos de estilo de vida.
  • A vida em cidades pequenas holandesas como a que eu estava, diverge muito do que vem na cabeça das pessoas quando a gente fala da Holanda, onde normalmente o povo já pensa em Amsterdam, maconha, coffeshops, Red light district e as prostitutas nas vitrines, tulipas, moinhos de vento e música eletrônica. A realidade é outra bem diferente.
  • E não, eu confesso que a Holanda não é o meu pais favorito para se viver, mas se eu colocar Brasil e Holanda na balança, me desculpem os bairristas de plantão, mas eu me identifico mais com o estilo de vida Europeu.
No entanto, ainda com altos e MUITOS baixos, eu voltei pro Brasil em Agosto, com o relacionamento bastante abalado, mas eu não tava pronta pra desistir. Ele também parecia que não. Eu queria encontrar uma solução, eu queria fazer dar certo e nós fomos levando até o mês seguinte, quando ele desistiu de tudo, pouco depois de completarmos um ano de relação. 

Acreditem em mim. Eu não esperava. Por pior que fosse o que tivesse acontecido (a coisa nunca chegou na agressão física, tá gente? Só pra deixar claro.), eu não imaginava que alguém que me dizia diariamente que me amava, não iria se dar conta do que andava a fazer e correr atrás do prejuízo. Pois ele correu. De mim, de nós, de tudo o que se passou e me deixou sem entender "o por que" de tudo o que tinha se passado, até que um dia eu encontrei essa imagem (aqui ao lado) no Pinterest e foi aí que pela primeira vez, me começou a cair a ficha sobre o que tinha acontecido.

Quando eu li cada item, eu percebi que durante aqueles meses na Holanda, era exatamente como eu estava me sentindo naquela relação e que, "em nome do amor", de "querer fazer dar certo", "de querer aceitar a limitação do outro", eu acabei sendo permissiva demais, sem me dar conta do que realmente estava acontecendo ali.

Talvez você esteja em uma situação parecida, talvez já tenha passado por algo assim antes, mas em cada item abaixo, eu fui vendo aquilo que antes eu não sabia dar nome, nem explicar.

SINAIS DE UM RELACIONAMENTO EMOCIONALMENTE ABUSIVO:
  • Você anda pisando em ovos para evitar aborrecer seu parceiro.
  • Seus sentimentos e opiniões são raramente validados.
  • Seu parceiro desconfia de você por qualquer motivo.
  • Você se sente incapaz de discutir problemas no relacionamento.
  • Você se sente preso ou confuso a maior parte do tempo.

Esses são apenas alguns sinais. Depois disso, eu pesquisei e encontrei desdobramentos destes itens e muitos outros sinais que também eram tão presentes e concretos no meu relacionamento como estes aqui, mas todos eles tão ofensivos e prejudiciais como uma agressão física.

Aí foi quando eu percebi que aquele sentimento de que nada que eu fazia nunca era bom o bastante pra ele e que não importava o quanto eu fizesse, eu nunca iria consertar aquela situação apenas por amá-lo.

É doloroso, é confuso e durou meses...Para algumas pessoas, pode durar anos...
Por isso, depois de quase dois meses do fim, eu resolvi escrever. Porque talvez você aí também esteja sem conseguir entender o que está se passando na sua relação, talvez você também esteja sofrendo, talvez você também tenha o mesmo sonho que eu e por melhor que sejam as suas intenções, a outra pessoa também precisa se dar conta de que relacionamento é 50% - 50% e assumir a responsabilidade dela, e procurar ajuda. Talvez ainda tenha jeito para o seu caso, talvez você consiga sair dessa sem permitir que o outro lhe faça sofrer mais.

Meu desejo é que, se esse for o seu caso, você tenha a coragem de largar sem levar essa culpa nos ombros. E que com o tempo, você também possa perdoar. Eu um dia quero perdoá-lo. E espero que algum dia, ele sinceramente se arrependa de todo o mal me fez.


Deus nos abençoe e guarde os nossos corações,

Beijos da Kinha





Kinha Guimarães

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